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Mercado aquecido: Pela 1ª vez na história, Brasil vem conseguindo avançar com cafés especiais e setor vê universo de oportunidades

País começa a ser reconhecido também pela qualidade da bebida e não apenas pelo volume de produção

Apesar de o Brasil ser líder absoluto quando o assunto é produtor e exportação de café, o setor cafeeiro do país quer mais e está focado em conquistar novos mercados e não apenas em volume, mas principalmente participar dos mercados que tem como característica básica exigir os cafés de qualidade e bebidas diferenciadas. 

No campo, as iniciativas do produtor também se voltam para aumentar a qualidade na xícara e principalmente o volume desse tipo de café. A boa notícia, de acordo com Silvio Leite – nome referência no mercado de café especial, é que pela primeira vez na história o Brasil vem conseguindo avançar, comprovando a qualidade e quebrando paradigmas mundo afora. 

“Há 20 anos nós não tínhamos quase marcas de cafés especiais aqui no Brasil, eram poucas. Hoje, olha o volume que ficam no Brasil. Quando se fala de cafés especiais é um conjunto de coisas, mas dentro desse processo de crescimento se criou dentro da fazenda formas de produzir, depois tivemos o crescimento dos profissionais da fazenda até a torrefação. É um banco de sinergia gigantesco de crescimento, que gera muito recurso hoje na cadeia”, disse ao Notícias Agrícolas durante o evento Mulher de Café, que aconteceu em Areado/MG na última semana. 

Os últimos anos foram marcados por essa evolução do campo à xícara, e para o especialista ainda há muito espaço para avançar em termos de tecnologia, pós-colheita e principalmente de mercado. “Nós temos mais em qualidade e crescimento. Cada vez mais que as pessoas conhecem de qualidade, mais ampliam e destacam a possibilidade de trazer esse café para dentro de casa”, disse. 

Com o mercado aquecido, Silvio reconhece, no entanto, que é importante também que o Brasil saiba se posicionar frente ao mercado internacional, justamente para valorização do trabalho que já vem sendo feito durante todo esse tempo pelo cafeicultor brasileiro. “Quando você fala em porteira pra fora, é preciso saber onde meu foco, quem são meus compradores? O que eles compram? Para poder oferecer, precisa conhecer para poder fazer boas vendas, não por fluxo de caixa, mas também por uma decisão estratégica”, afirmou. 

Mais de uma vez, Silvio destacou a importância do produtor conhecer de perto o mercado em que está atuando, destacando ainda a importância da participação nos concursos de qualidade que podem trazer boas oportunidades para o cafeicultor. “Quem são e o que buscam, onde estão, saber tudo isso é fundamental para quando estrategicamente o produtor precisar cumprir essas vendas. As mulheres têm muita sensibilidade para tomar decisões racionais e  mercadológicas, isso contribuirá com o próprio desenvolvimento do mercado de cafés especiais”, afirma. 

No mercado interno, o consumo também vem avançando e o setor trabalha de forma educativa junto ao consumidor final, mas no exterior o mercado está ainda mais aquecido. “Fora do país a demanda é gigante porque nós não tínhamos um país que não produzia cafés especiais e hoje sim nós temos esse reconhecimento. Olha quanto territórios produtores nós temos no Brasil, estão sendo reconhecidos”, afirma. 

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) atualizou recentemente o mapa de regiões produtoras de café do Brasil. O país possui 35 regiões produtoras, sendo 14 dessas com registros de Indicação Geográfica (IG). Veja no mapa abaixo: 

“Além de evidenciar ao mundo a geografia e as características dos frutos produzidos no cinturão cafeeiro nacional, esse avanço que fizemos cria um verdadeiro catálogo de apresentação do desenvolvimento de novas origens e microrregiões produtoras no país, englobando as variedades arábica e canéfora”, destacou recentemente Vinicius Estrela, diretor executivo da BSCA. 

Silvio finaliza dizendo que o Brasil está caminhando para conseguir apresentar todas as regiões no mercado internacional. “Querendo ou não nós somos um gigante no mercado de café, quando você tem muito volume você tem mais dificuldade de reconhecer alguma coisa como raridade, não é ser só Brasil, é reconhecer que esse café é desse ou daquele produtor e é de fato diferenciado”, disse. 

Cafés diferenciados em números de exportação 

De acordo com dados recentes do Conselho dos Exportadores de Cafés do Brasil (Cecafé), os cafés que  possuem qualidade superior ou certificados de práticas sustentáveis responderam por 16,5% das exportações totais brasileiras do produto no acumulado de 2023, com o envio de 3,770 milhões de sacas ao exterior. 

O preço médio desse produto foi de US$ 241,31 por saca, proporcionando uma receita cambial de US$ 909,8 milhões nos oito primeiros meses deste ano, o que corresponde a 18,6% do obtido com os embarques totais de café. 

No comparativo anual, o valor é 29,6% menor do que o aferido em idêntico intervalo de 2022. No ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados neste ano, os EUA ocupam o primeiro lugar, com a aquisição de 902.087 sacas, o equivalente a 23,9% do total desse tipo de produto exportado. Fechando o top 5, vêm Alemanha, com 489.382 sacas e representatividade de 13%; Bélgica, com 421.505 sacas (11,2%); Holanda (Países Baixos), com 227.227 sacas (6%); e Reino Unido, com 175.081 sacas (4,6%).

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