Realizado em Barreiras, evento promovido pela Acrioeste colocou em pauta gestão, genética, reprodução, mercado, nutrição e tecnologia para uma pecuária mais eficiente e rentável

Barreiras foi palco, entre os dias 27 e 29 de agosto, de um dos principais encontros dedicados à pecuária baiana. O 1º Fórum de Pecuária da Bahia: Da Produção ao Lucro, promovido pela Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste), reuniu produtores rurais, entidades representativas, especialistas, empresas e poder público para discutir os desafios e as oportunidades de uma atividade cada vez mais orientada por tecnologia, gestão e eficiência.
Realizado no Centro Cultural Rivelino Silva de Carvalho e com programação complementar na Praça Landulfo Alves, o evento teve a participação de instituições que representam diferentes segmentos do agronegócio baiano, entre elas a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Bahia), a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e sindicatos dos produtores rurais de diferentes municípios.
Na abertura, o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, destacou a importância da união do setor produtivo para o fortalecimento da pecuária e defendeu a valorização das pessoas como elemento central para a transformação da atividade.
“O boi sozinho não faz isso. Quem faz a evolução e a transformação é gente”, afirmou.

A vice-presidente da Faeb, Carminha Missio, também participou do Fórum, reforçando a presença da Federação nas discussões relacionadas ao desenvolvimento da pecuária e à realidade dos produtores do Oeste baiano.
A presença das entidades representativas refletiu a diversidade e a importância da atividade para a economia regional. Mais do que discutir a produção de carne, o Fórum propôs uma visão ampla sobre os fatores que determinam a rentabilidade e a sustentabilidade dos negócios pecuários.

Da produção à rentabilidade
Ao longo de três dias, especialistas de diferentes regiões do país apresentaram informações e estratégias aplicáveis à realidade das propriedades rurais. A programação técnica abordou temas que vão desde a reprodução e a genética até gestão, mercado, nutrição e intensificação dos sistemas produtivos.
Entre os destaques esteve a discussão sobre Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) na cria, conduzida pelo professor Zequinha, da Unesp, além de conteúdos relacionados ao ciclo pecuário, mercado futuro, recria e rentabilidade.
A agenda também contemplou debates sobre genética, solos, nutrição, terminação, liderança e perspectivas para o futuro da pecuária, levando aos participantes informações sobre ferramentas capazes de melhorar os índices produtivos e econômicos das propriedades.
A proposta central foi aproximar o produtor de conhecimento técnico e experiências que possam ser convertidos em resultados no campo. Em um cenário marcado por oscilações de preços, aumento dos custos de produção e maior exigência dos mercados, a profissionalização da atividade passa pela capacidade de tomar decisões com base em dados, planejamento e conhecimento.
Pecuária em transformação
A escolha de Barreiras para sediar a primeira edição do Fórum também reforça a importância do Oeste baiano no cenário agropecuário. A região, tradicionalmente reconhecida pela força da agricultura, apresenta uma pecuária que vem incorporando novas tecnologias, melhoramento genético, estratégias de manejo e modelos de gestão.
Para o presidente da Acrioeste, Gil Arêas, a realização do Fórum representa um passo importante para ampliar o debate sobre o futuro da atividade e aproximar produtores das novas tecnologias e conhecimentos disponíveis.
A programação buscou justamente estabelecer essa conexão entre diferentes elos da cadeia. Além das palestras e painéis, a Bahia Pec, instalada na Praça Landulfo Alves, reuniu empresas e instituições ligadas ao setor, apresentando produtos, equipamentos, serviços e soluções para a pecuária.
O espaço funcionou também como ambiente de relacionamento e negócios, aproximando fornecedores, produtores e profissionais que atuam diretamente na cadeia produtiva.
Desafios estruturais também entram na pauta
Os debates não ficaram restritos às questões técnicas da propriedade. Durante a abertura, o secretário estadual da Agricultura, Vivaldo Góes de Oliveira, apresentou um panorama dos principais desafios estruturais enfrentados pela pecuária baiana, com destaque para questões relacionadas a licenciamento ambiental e regularização fundiária.
Segundo o secretário, o Estado vem buscando ampliar a articulação com instituições como Fieb, Inema, Ibama e Ministério da Agricultura para avançar nessas agendas.
A discussão reforçou que o desenvolvimento da pecuária depende de um ambiente favorável em diferentes frentes: segurança jurídica, infraestrutura, acesso a crédito, assistência técnica, qualificação profissional, tecnologia e organização dos produtores.
Um novo espaço para a pecuária baiana
Ao reunir diferentes representantes da cadeia produtiva, o 1º Fórum de Pecuária da Bahia criou um espaço de diálogo que ultrapassou os limites da produção. A programação mostrou que os caminhos para uma pecuária mais competitiva passam pela combinação entre conhecimento técnico, gestão, inovação, organização e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.
Ao final dos três dias, a primeira edição do Fórum consolidou Barreiras como um importante ponto de encontro para a discussão sobre os rumos da pecuária no estado e abriu espaço para que produtores e demais integrantes da cadeia possam continuar debatendo soluções para produzir mais, com eficiência e rentabilidade.

