Evento da CNA reúne lideranças de diferentes estados em Brasília para ampliar a representatividade feminina, fortalecer o sindicalismo rural e preparar novas líderes para os desafios do setor

A força, a experiência e a capacidade de liderança das mulheres do campo ganharam espaço, nesta terça-feira (12), em Brasília. A sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebe o 3º Fórum de Liderança Feminina Sindical Rural, encontro que reúne representantes de diferentes estados para um dia dedicado à formação, à troca de experiências, à articulação e ao fortalecimento da participação feminina no sistema sindical rural.

Entre as participantes está a Comissão Faeb Mulher, que representa a Bahia no movimento nacional de fortalecimento da liderança feminina do agro. A presença baiana se soma à atuação das Agroparceiras do Oeste da Bahia, movimento de mulheres ligado ao Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, que vem se consolidando como uma importante iniciativa de mobilização, formação e integração de produtoras rurais.

Mais do que um encontro de mulheres, o fórum representa a consolidação de uma agenda que vem ganhando espaço dentro do Sistema CNA/Senar: preparar lideranças para ocupar, com conhecimento, segurança e representatividade, os espaços de decisão que influenciam o presente e o futuro do agro brasileiro.

Formação para transformar liderança em representatividade

A programação foi construída para combinar diferentes dimensões da liderança. Ao longo do dia, as participantes discutem o panorama do cenário político brasileiro, o papel do sindicato rural como espaço de liderança e transformação, a participação das mulheres na liderança global do agro, além de temas institucionais relacionados à atuação da CNA.

A programação também abordou autorresponsabilidade e o poder do exemplo, reforçando uma dimensão essencial da liderança: a capacidade de cada mulher de reconhecer seu papel e transformar sua própria trajetória em inspiração para outras.

A escolha dos temas também revela o amadurecimento do fórum. Em sua terceira edição, a iniciativa deixa de ser apenas um espaço de encontro e passa a funcionar como uma plataforma permanente de desenvolvimento de lideranças femininas, conectando experiências regionais e fortalecendo uma rede nacional.

A proposta amplia o conceito de liderança para além da ocupação de cargos. “Liderar, no contexto do sindicalismo rural, significa compreender os desafios do setor, participar das discussões, construir pontes, representar interesses coletivos e contribuir para que as demandas de quem produz cheguem aos espaços onde as decisões são tomadas”, afirmou Stéphanie Gobato, presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA.

Bahia presente

A participação da Comissão Faeb Mulher reforça o protagonismo que a Bahia vem construindo nesse movimento. Sob a liderança da produtora rural Carminha Missio, a comissão tem ampliado a presença das mulheres baianas em espaços de discussão, representação e formação dentro do Sistema CNA/Senar.

A presença das Agroparceiras também evidencia a força da organização feminina no Oeste baiano. Criado para aproximar mulheres da participação ativa na comunidade e nas entidades de classe ligadas ao agronegócio, o movimento vem crescendo e estimulando a formação de novas lideranças.

Uma rede que cresce

A presença de mulheres de diferentes regiões torna o fórum especialmente relevante. Cada participante chega com uma realidade, uma trajetória e desafios próprios, mas encontra no encontro um ponto de convergência: a necessidade de fortalecer a voz feminina na defesa do produtor rural e no desenvolvimento do setor.

É nessa diversidade que está uma das maiores riquezas da iniciativa. A experiência de uma liderança do Oeste baiano pode inspirar uma produtora do Sul; uma estratégia sindical desenvolvida no Nordeste pode ser adaptada no Centro-Oeste; uma iniciativa local pode ganhar dimensão nacional.

A troca, portanto, não termina quando o fórum acaba. Ela se transforma em conexões, novas ideias, parcerias e, principalmente, em uma rede de mulheres mais preparadas para atuar dentro e fora da porteira.

O 3º Fórum de Liderança Feminina Sindical Rural consolida, assim, uma agenda que já não pode ser tratada como complementar dentro do agro. A participação feminina é parte estratégica do fortalecimento do sistema sindical e da própria capacidade de representação do setor.

Para Carminha Missio, presidente da Comissão Faeb Mulher, estar presente nesse movimento significa também mostrar a força e das produtoras e lideranças baianas. “Faeb Mulher e Agroparceiras chegam a Brasília levando experiências de um estado onde as mulheres já ocupam espaços cada vez mais relevantes na produção, na gestão e na representação do agronegócio. E, ao retornarmos para casa, levamos algo ainda mais importante: novas ferramentas, conexões e inspiração para abrir caminho para outras mulheres”, pontua.