
A Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) recebeu a visita institucional do presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Waldyr Promicia, e do diretor executivo da instituição, Eduardo Brandão. O encontro teve como pauta central o alinhamento estratégico entre as duas entidades para ampliar a presença da fruticultura baiana no mercado internacional e abrir novas alternativas comerciais para cadeias sensíveis, como a citricultura.
A aproximação marca uma frente conjunta de diálogo com os governos estadual e federal. O foco é garantir que as exigências legais e os protocolos fitossanitários sejam viáveis tanto para grandes grupos quanto para médios e pequenos produtores rurais.
“A Abrafrutas procura trazer novas possibilidades de mercado para o exportador. Juntando as forças com a Faeb, queremos defender cada vez mais a nossa fruticultura e divulgar a cultura exportadora no estado da Bahia como um todo”, destacou Waldyr Promicia.
Exportação como ‘terceira via’ para a citricultura baiana
Um dos pontos discutidos durante a reunião foi a situação crítica vivida pelos citricultores no estado. Pressionados pelo aumento expressivo nos custos de produção e pela remuneração desfavorável da indústria e do mercado interno, os produtores enfrentam gargalos severos de escoamento.
Para o presidente da Abrafrutas, a abertura do mercado externo para a laranja in natura é o caminho para restabelecer a rentabilidade do setor. “Hoje o produtor de laranja na Bahia tem basicamente dois caminhos: o mercado interno e a indústria, ambos limitados. Se a gente consegue uma brecha para exportar essa fruta in natura para outros países, criamos um terceiro canal de saída. Mesmo que seja um percentual menor do volume total, o simples fato de gerar disputa e concorrência pelo produto já puxa o preço para cima”, avaliou Promicia.
Bahia tem vantagem fitossanitária no comércio global
Outro grande trunfo da Bahia apontado pelo dirigente são as condições fitossanitárias favoráveis. Ao contrário de outros polos produtores tradicionais do país, o território baiano não tem incidência de cancro cítrico. Essa condição pode representar uma vantagem competitiva nas negociações para acesso a mercados mais exigentes, embora a exportação dependa da definição e do cumprimento dos protocolos fitossanitários estabelecidos por cada país importador, como acontece nos Estados Unidos e nos países da União Europeia.
Além da citricultura, o encontro abordou a consolidação de polos como o Vale do São Francisco no cultivo de manga e uva, e o desafio de expandir a fruticultura tecnificada para outras regiões baianas. Promicia ressaltou ainda que, embora o Brasil figure como o 3º maior produtor mundial de frutas, o país ocupa apenas o 23º lugar no ranking de exportação. Enquanto o vizinho Chile alcança quase US$ 10 bilhões no comércio externo do setor, o Brasil atingiu recentemente o patamar de US$ 1,5 bilhão.

