
Os sucessivos conflitos entre supostos indígenas e produtores rurais do extremo sul baiano motivaram uma reunião entre o governo do Estado e agricultores da região. O encontro, realizado nesta quarta-feira, em Teixeira de Freitas, município com elevado número de disputas por terra, tem o objetivo de por fim à onda de violência gerada pelas invasões realizadas às propriedades privadas, gerando prejuízos incalculáveis a inúmeras famílias do campo.
Representando o governador Jerônimo Rodrigues, os secretários de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola, e da Segurança Pública (SSP), Marcelo Werner, ouviram às vítimas e anunciaram a criação de um grupo de trabalho para tratar dos conflitos agrários na região. Também foi prometido o aumento do efetivo policial e a implantação da ronda rural para coibir a atuação de grupos criminosos que se passam por indígenas. Além da representação do próprio governo estadual, também vão integrar o grupo representantes da Federação da Agricultura da Bahia (Faeb) e dos povos originários.
“O caminho para a paz é o diálogo e é isso que a Faeb tem buscado estabelecer com o governo e com todos os segmentos da sociedade. A partir disso, a nossa luta tem sido pela legalidade, para que a lei prevaleça diante dos absurdos que vêm acontecendo e que para além dos prejuízos materiais e econômicos impostos aos produtores rurais há a insegurança jurídica e, sobretudo, física, com pessoas sendo agredidas e até mortas”, pontuou o presidente da Faeb, Humberto Miranda.

O titular da SSP garantiu que vai instaurar inquérito e investigar os fatos. “Estamos em acordo pela busca da legalidade, pois o meu trabalho sempre foi pautado na lei. Faremos com todo o rigor a investigação de crimes que possam ter sido cometidos. Nossa atuação será na mediação, na repressão qualificada e na investigação, garantindo assim mais segurança para todos, seja da zona urbana ou rural”, explicou Werner, ao anunciar a integração de equipes das polícias Civil e Militar.
O secretário ainda citou o êxito da Operação Safra que tem levado mais tranquilidade aos produtores rurais do Oeste no período de plantio. Segundo Werner, ações similares devem ser implantadas no Extremo Sul a fim de estabelecer a paz no campo para que os agricultores da região possam desenvolver a atividade.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Teixeira de Freitas, Renan Reisen, salientou que os agricultores estão em plena safra de café, mas que alguns nem poderão colher. “Muitos tiveram suas propriedades invadidas por supostos indígenas que estão aterrorizando a região, reivindicando a “retomada” de territórios que nunca foram deles. Eles agem com truculência, chegam armados, ameaçando e agredindo, se apropriam das terras e de tudo que está sobre elas, inclusive maquinários e as lavouras. Eles estão colhendo e comercializando o que jamais plantaram”, pontuou.
Também participaram da reunião produtores rurais e os presidentes dos Sindicatos de Eunápolis, Caravelas, Ibirapuã, Itanhém, Itamaraju e Medeiros Neto, além de representantes de outros segmentos que apoiam o agro na região, a exemplo da CDL.
Ascom Faeb