Vice-presidente da Faeb, Carminha Missio aparece pela segunda vez entre as 100 Mulheres Poderosas do Agro; outras representantes da Bahia também se destacam em áreas como algodão, cacau e gestão empresarial

A força das mulheres baianas está ganhando cada vez mais espaço nas decisões e nos negócios do agronegócio brasileiro. O reconhecimento mais recente vem da revista Forbes, que incluiu lideranças com atuação na Bahia na segunda edição da lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, publicada em outubro de 2026. Entre os destaques está Carminha Gatto Missio, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), que também preside o Instituto Agropecuário da Bahia (Iagro) e a Comissão Faeb Mulher. Ela volta a integrar a seleção após aparecer na primeira edição, em 2021.
Produtora rural, advogada e liderança do agronegócio no Oeste baiano, Carminha ainda representa a Bahia na Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Sua trajetória é marcada pela atuação em defesa da capacitação feminina, do empreendedorismo rural e da ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão do setor.

Primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Faeb, Carminha foi reconduzida ao cargo para o mandato 2026-2030. No setor, também já esteve à frente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, contribuindo para fortalecer a participação feminina no sistema sindical rural e ampliar a representatividade das produtoras baianas.
Sua história profissional também está ligada ao desenvolvimento do Cerrado. Com experiência de mais de duas décadas no setor de sementes, ela acompanhou a expansão agrícola da região e consolidou sua atuação no Oeste da Bahia.
Bahia além das fronteiras do campo
A presença de Carminha na lista da Forbes integra um movimento mais amplo de reconhecimento de mulheres que contribuem para projetar a Bahia nacional e internacionalmente. Em diferentes cadeias produtivas, elas lideram negócios, impulsionam a inovação e ajudam a agregar valor à produção agropecuária do estado.
Entre esses nomes está Alessandra Zanotto, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Sua atuação tem como prioridades a inovação, a capacitação profissional e a sustentabilidade, além da ampliação das oportunidades logísticas para o algodão produzido na Bahia.
Na cadeia do cacau, Adriana Reis, gerente de qualidade do Centro de Inovação do Cacau (CIC), em Ilhéus, trabalha para ampliar o reconhecimento da qualidade do cacau brasileiro. Doutora em biologia e biotecnologia de microrganismos, ela atua na avaliação técnica e na valorização do cacau especial, contribuindo para aproximar a produção baiana dos mercados de maior valor agregado e das referências internacionais de qualidade.



Também no sul da Bahia, Claudia Calmon de Sá se destaca pela gestão da Agrícola Cantagalo, grupo produtor de cacau que investe em variedades, tecnologia e qualidade. A empresa atua com sistemas de produção em cabruca e agrofloresta, além de desenvolver iniciativas voltadas ao cacau fino. O trabalho alcançou reconhecimento internacional, com premiações para amêndoas produzidas na região, e avança para novas áreas de cultivo no Oeste baiano.
Os nomes evidenciam a diversidade da liderança feminina no agro da Bahia: da representação institucional à produção de algodão, da pesquisa aplicada à valorização do cacau. São trajetórias que mostram como a presença das mulheres se estende por diferentes etapas da cadeia produtiva, com influência sobre decisões, investimentos, inovação e posicionamento de mercado.
Representatividade que abre caminhos
Para o Sistema Faeb/Senar, o reconhecimento das lideranças femininas reforça a importância de criar oportunidades para que mais mulheres participem da gestão das propriedades, do empreendedorismo rural e das entidades representativas do setor.
Na Bahia, iniciativas como a Comissão Faeb Mulher e a mobilização de grupos de produtoras rurais contribuem para estimular a formação de novas lideranças, ampliar conexões e fortalecer a participação feminina no desenvolvimento agropecuário. Em um setor cada vez mais orientado por conhecimento, tecnologia, gestão e competitividade, essas lideranças ajudam a construir novas referências e a ampliar os caminhos para as próximas gerações de mulheres do campo.

