O presidente da Faeb participou do encontro na última quinta (14), na sede da entidade em Brasília.

Na última quinta-feira (14), o Conselho do Agro Econômico da CNA realizou a primeira reunião do conselho, na sede da entidade em Brasília. Durante o encontro, foram analisados os cenários econômicos internos e externos, e como a geopolítica e as instabilidades internacionais podem impactar a produção agropecuária. 

Participaram da reunião o presidente da CNA, João Martins, o presidente da Faeb e vice-presidente membro da Diretoria Executiva da Confederação, Humberto Miranda, além dos outros vices-presidentes membros, presidentes e representantes das Federações estaduais de agricultura e pecuária, economistas e diretores do Sistema CNA/Senar. 

Os economistas Marcos Troyjo e Samuel de Abreu Pessôa foram os convidados da primeira reunião do Conselho do Agro Econômico. O colegiado foi criado neste ano pela CNA e é composto pelas equipes econômicas da Confederação e das Federações estaduais de agricultura e pecuária.

Com reuniões periódicas, o conselho visa discutir os cenários econômicos, para se antecipar na orientação aos representantes da Confederação e das Federações, auxiliando na tomada de decisões mais assertivas em defesa dos produtores do setor agropecuário.

O presidente da CNA, João Martins, abriu o encontro e destacou a importância da implantação do Conselho e da participação de especialistas e das equipes econômicas do Sistema que atuam em Brasília e nas Federações estaduais.

João Martins disse que é importante todos estarem “sintonizados” para antecipar o debate de assuntos importantes para o agro.

O presidente da Faeb e vice-presidente da CNA, Humberto Miranda, destacou a criação do conselho e o momento como uma forma de entender as diferentes realidades regionais, seus desafios, e, assim direcionar o apoio institucional para uma melhor defesa dos produtores e do setor agropecuário. 

O vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, reforçou o momento oportuno da criação do Conselho do Agro Econômico para promover a troca de experiências e compreender as diferentes realidades regionais.

Gedeão Pereira ressaltou a condição do país como maior exportador líquido de alimentos do mundo e o papel estratégico do agro brasileiro como provedor da segurança alimentar, energética e climática.

Geopolítica – O economista e ex-presidente do Banco dos Brics, Marcos Troyjo, abordou o tema “Geopolítica e o Novo Mapa da Economia Global”, mostrando, entre outros pontos, como as questões internacionais exercem forte influência sobre as decisões econômicas e comerciais em todos os mercados globais. E atingem todos os setores.

Troyjo falou sobre os desafios e oportunidades do agro brasileiro na esfera global diante dos ativos estratégicos que o país possui para a oferta de alimentos, fontes de energia e água nas próximas décadas. Troyjo também explicou que o Brasil passou a ocupar espaços importantes em mercados consumidores de outros países, preenchendo lacunas antes ocupadas por outros concorrentes.

O economista lembrou que o país era importador de alimentos e este cenário mudou graças ao trabalho dos produtores rurais e aos investimentos em pesquisa e tecnologia. Disse, ainda, que o agro brasileiro continuará sendo um setor chave no fornecimento de alimentos nas próximas décadas em um cenário de crescimento da população mundial.

Mercado doméstico – Na sequência, Samuel de Abreu Pessôa traçou um cenário no ambiente interno, falando sobre os desafios dos próximos anos para o crescimento econômico no país, passando pelas políticas fiscal e monetária e mencionando tópicos como spread, receitas e despesas, câmbio, PIB e inflação.

O economista explicou a dinâmica de gastos públicos e como isso afeta, entre outros pontos, a política de juros e a inflação e como o cenário eleitoral de 2026 pode impactar neste tema. Pessôa também destacou a contribuição da agropecuária no resultado do Produto Interno Bruto em 2025 e o comportamento do mercado de trabalho no cenário atual, além da previsão para os próximos anos.

Por fim, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, fez um relato aos participantes sobre o regulamento da União Europeia sobre resistência antimicrobiana, aplicável a partir de setembro, o alcance da medida e as ações que podem ser feitas para assegurar previsibilidade e preservar o fluxo comercial.

À tarde, as equipes discutiram a situação econômica do agro e as próximas ações do Conselho